SES divulga estudo sobre a saúde da população negra em Sergipe

COMPARTILHAR

A saúde da população negra em Sergipe foi alvo de investigação realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), através do seu Núcleo Estratégico (Nest). O documento divulgado na semana passada tem por objetivo fornecer informações a gestores, ao controle social, movimentos organizados, entre outras instituições para embasamento e definição de ações necessárias à implementação da Política Estadual da Saúde voltadas à população negra do Estado.

“Analisamos dados sobre a morbidade que mostram o comportamento das doenças e dos agravos à saúde na população. As avaliações que consideram as variável raça/cor auxiliam na medição da qualidade e acesso desta população aos serviços de saúde”, esclareceu a analista de situação do Nest/SES, Patrícia Lima.

Além das doenças crônicas não transmissíveis mais prevalentes na população negra, o documento destaca outras decorrentes das condições de vulnerabilidade a que essa população está exposta. Entre essas doenças estão as infecções pelo HIV/Aids, a Tuberculose, a Hanseníase e a Sífilis Congênita.

Em Sergipe, entre os anos de 2010 e 2015, foram notificados 1.784 casos de Aids, sendo 1.380 na população negra, o que equivale a 77, 35% dos casos. Destes 67,25 % em pessoas do sexo masculino.

“Chama a atenção o fato de 50% desses casos ter sido contabilizados na região de saúde de Aracaju, totalizando 752 casos”, destacou o médico infectologista, referência da SES, Marco Aurélio.

Já os dados sobre a Hanseníase, em Sergipe, entre 2010 e 2015, foram notificados 2.886 casos sendo 2.248 (77,89%) na população negra. Destes 51,42 % em pessoa do sexo masculino. Nesse mesmo período foram notificados 3546 casos novos de Tuberculose, sendo 2.757 (77,75%) na população negra. Destes 68,52 % no sexo masculino.

“O documento também revela dados sobre a Sífilis Congênita. Dos 2.022 casos notificados, 78,24% atingiu a população negra, entre 2010 e 2015”, destacou o médico.

Para a realização dessas análises, também foi levado em consideração o censo demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), de 2010. De acordo com esses dados, a proporção de pessoas autoclassificadas negras em Sergipe chegou a 70,70%, distribuídos em 51 municípios. Para melhor avaliar as necessidades dessa população, a análise foi distribuída em sete blocos de municípios que representam as regiões de saúde no estado (Aracaju, Estância, Propriá, Itabaiana, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora do Socorro e Lagarto).

Mortalidade

Em relação aos dados relacionados aos índices de mortalidade registrados em 2015, estão 58,96% para o sexo masculino, destes 43,89% de pessoas negras. Já dos 5.293 óbitos de pessoas do sexo feminino, 26,01% referem-se a mulheres negras. Os dados apresentados através do informe epidemiológico levam em consideração dados registrados em certidões de óbito, documento considerado para registro no SIM.

“Pudemos constatar que, entre as causas de mortes de pessoas registradas como negras e do sexo masculino, 25,55% foram por causas externas, seguidas de problemas circulatórios. 7,35% foram por neoplasias”, destacou a analista de situação do Nest, Patrícia Lima.

A analista acrescenta, ainda, que, entre as mulheres registradas como negras a maioria dos óbitos ocorrem por problemas circulatórios (20,06%) , seguidos das neoplasias ( 9,92%) e os respiratórios estão relacionados à 7,05% dos casos.

Faça seu comentário